Desde a noite de segunda-feira (9), integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) de oito acampamentos do sudeste do Pará começaram a montar acampamento nas imediações da sede da Superintendência Regional do Incra, em Marabá. A manifestação, que acontece de forma pacífica, visa forçar a superintendência a legalizar dez áreas de acampamento no sudeste do estado.
Atualmente, existem 100 fazendas ocupadas na área de abrangência da Superintendência Regional do Incra, sendo que, desse total, apenas seis acampamentos são controlados pelo MST. O restante é composto por famílias filiadas à Fetagri, à Fetraf ou a outras associações de camponeses.
De acordo com Tito Mendes, integrante da coordenação estadual do MST, além do problema nos acampamentos, o movimento cobra ainda infraestrutura nos PA’s que já estão regularizados. Segundo ele, há déficit nos créditos para habitação e apoio, além da abertura de estradas. Um pouco antes de montarem o acampamento no Incra, representantes do MST conversaram com o superintendente do instituto. Ao final da reunião, ficou acertado que o superintendente Luís Bonetti irá a Brasília, nesta quarta-feira, levar a pauta de reivindicação dos camponeses.
Os integrantes do Movimento passaram as duas primeiras noites em vigília na porta da superintendência e, segundo Tito Mendes, o MST não vai paralisar as atividades na SR-27. 'Estamos pressionando, mas com responsabilidade', garantiu. Segundo José Batista Afonso, coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Superintendência Regional do Incra em Marabá informou, no fim do mês passado, que até dezembro deste ano serão assentadas 1.500 famílias, número que ele considera pequeno diante da demanda da região. Para ele, isso representa um avanço muito pequeno, pois existem, hoje, seguramente, 12 mil famílias acampadas. 'Vamos ter aí 10.500 famílias aguardando, ano após ano, uma solução que nunca aparece. Não é fácil ficar até 10 anos debaixo da lona preta', declarou.
Orm
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