Um dos grandes embaraços de Belo Monte, utilizado como argumento pelos detratores do projeto da terceira maior usina hidrelétrica do mundo, é a série de impactos previstos para os 11 municípios localizados na região de abrangência do Rio Xingu. O maior desafio do Governo do Estado, que acompanha os desdobramentos do projeto, é convencer o Consórcio Norte Energia, gestor da obra, a começar imediatamente as ações necessárias para o abrandamento desses impactos.
Um passo largo nesta direção será dado nesta quinta-feira (5), a partir de 09h, no Palácio dos Despachos, pelo governador Simão Jatene, no encontro com Elvio Lima Gaspar, diretor de Crédito e Inclusão Social do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e três dirigentes do Consórcio - o presidente Carlos Nascimento, o diretor Ademar Pallocci e o conselheiro Valter Cardeal.
Elvio Lima Gaspar já teve uma conversa prévia com o governador em São Paulo, no mês passado. Essa reunião resultou de um encontro mantido dias antes, no Rio de Janeiro, entre Jatene e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. No primeiro momento, no Rio, Simão Jatene, ao tratar sobre os embaraços relativos ao empréstimo feito ao Governo do Estado na gestão passada, externou sua preocupação com as obras de Belo Monte e as pressões derivadas do empreendimento. Já em São Paulo, o governador reiterou essa inquietude e obteve do diretor do BNDES o apoio à ideia de antecipar as obras de mitigação dos impactos. No mesmo encontro, o diretor revelou a Jatene que o assunto também provocara preocupação na presidente da República, Dilma Rousseff.
Hoje (4), em Belém, o Governo do Pará recebeu o BNDES, que deverá financiar a recomposição da infraestrutura nos municípios a serem afetados por Belo Monte, e o Consórcio Norte Energia, responsável pela grande obra da usina e pelas externalidades do projeto. O objetivo da reunião foi apresentar um estudo detalhado dos setores que mais terão necessidade de apoio em função da multiplicação das demandas por serviços públicos, o que é natural em uma obra desse porte. A reunião também foi o ponto de partida para que as externalidades sejam encaradas de frente e com a devida antecedência, como tem defendido Jatene, agora com o apoio do BNDES e a concordância do Consórcio Norte Energia.
AP

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